Condições Para Ser Discípulo

biblia+ Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília

Estamos iniciando o mês especialmente dedicado à Bíblia. Por isso, aproveitemos para refletir sobre como temos escutado, acolhido e praticado a Palavra de Deus. Qual é o tempo que dedicamos à leitura e meditação da Bíblia? Organize melhor o seu tempo de modo a fazer a leitura orante da Bíblia e, assim, por em prática a Palavra de Deus durante este mês para continuar a cultivar tal atitude durante todo o ano. Nas missas, procuremos escutar com mais atenção a Palavra de Deus.

O Evangelho (Lc 14,25-33) nos apresenta as condições para ser discípulo propostas por Jesus aos que o seguiam no caminho para Jerusalém. A expressão “não pode ser meu discípulo” aparece três vezes no relato de S. Lucas. Não pode ser discípulo de Jesus, isto é, não pode seguir os seus passos, quem não for capaz de aceitar as renúncias e carregar a cruz. É importante recordar-se que Jesus está caminhando para a paixão e a morte na cruz, em Jerusalém. O discípulo deve estar pronto para subir o calvário com Cristo e permanecer com ele na hora da cruz. Por isso, não basta deixar pecados. O Evangelho menciona o desapego à família e à própria vida e a renúncia aos bens materiais. O discípulo dever estar disposto a tais renúncias ainda que elas não venham a ocorrer sempre de modo total. Isso, que pode parecer demais para o mundo de hoje, ocorre frequentemente na vida cristã. Quem quiser participar da missa, servir a comunidade, atuar em alguma pastoral ou visitar um doente deverá estar disposto a fazer alguma renúncia. Quem quiser viver para si ou unicamente para a família ou o trabalho, não terá tempo para os irmãos. Por isso, é preciso levar a sério as consequências da opção por seguir a Cristo, pensar bem no que se está fazendo e perseverar no discipulado, conforme nos sugerem as imagens do construtor imprudente e do rei diante da batalha, empregadas por Jesus. Naquele tempo, assim como ocorre hoje, muita gente não tinha consciência da seriedade de ser discípulo, vivendo mais ou menos o Evangelho, sem dar a devida prioridade ao seguimento de Cristo.

Entretanto, qual é o homem que pode conhecer a vontade de Deus? (Sb 9,13-18). Com a Sabedoria que Deus nos concede, por meio do Espírito Santo, podemos discernir retamente o valor dos bens deste mundo e perseverar no discipulado. Com ela, podemos tratar o próximo como “irmão querido” e não como “escravo”, conforme a expressão empregada por S. Paulo na Carta em que pede a Filêmon para receber Onésimo “como pessoa humana e irmão no Senhor” (Fm 9,16). Como discípulos, possamos assumir as renúncias que se fizerem necessárias para tratar a todos como “irmãos queridos”, em Cristo!

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